Riscos Associados à Internet |
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Como proteger as crianças da violência, de ideologias radicais (políticas e religiosas), da pornografia (incluindo a pedofilia e alegados vídeos de assassinatos de crianças vítimas de abuso sexual) e dos sítios comerciais que as induzam a fazer despesas por conta dos pais ou delas próprias? Esta questão constitui igualmente um sumário das principais desvantagens da Internet e destina-se a induzir as pessoas a uma atitude pró-activa. Menos conhecido parece ser o perigo de viciação e de consequente isolamento social. Os chats podem constituir o ponto fraco de uma estratégia de protecção (citando de memória, cerca de 90% do conteúdo tem a ver com sexo). Transacções de droga e produtos químicos interditos, apostas, e, em geral, qualquer vício existente na vida real tendem a ter o seu equivalente na Internet e a apoiar-se em persuasivos estímulos. Nem sequer as metodologias de suicídio ou de fabrico de bombas devem ser consideradas surpreendentes. Importa ter presente que nenhuma estratégia de defesa é eficaz a 100%. Embora certos sítios dedicados à segurança das crianças se pautem por ideologias que não são partilhadas por todos e que alguns considerarão extremamente conservadoras, podendo mesmo exagerar os riscos reais, afigura-se temerário ignorar pura e simplesmente todos estes riscos.
Uma estratégia de defesa bastante simples, sobretudo aplicável às crianças mais jovens, é a importação de sítios lúdicos e educativos que as interessam (se tal for lícito) para o nosso computador, graças a programas especificamente destinados a esse efeito (offline browsers). Nesse caso, a criança já não necessita de estar ligada à Internet para poder apreciar o seu conteúdo mais positivo. Dito isto, importa recordar que a Internet tem igualmente conteúdos muito valiosos, alguns dos quais são os mais actuais que se encontram disponíveis, nomeadamente de carácter educativo. Importa recordar igualmente que os motores de pesquisa e os repertórios tendem a implementar tímidas políticas de filtragem, em que procuram não impedir a liberdade de expressão e sobretudo não comprometer a sua própria viabilidade comercial.
O navegador incauto não suspeita seguramente que está a ser seguido simultaneamente por dezenas de olhos. A maior parte desses olhos está a acumular informações sobre os seus interesses e a definir um seu perfil, que mais tarde será vendido a empresas comerciais interessadas em fazer publicidade bem dirigida a um público previamente triado. Muitos deles (os famosos cookies, mas também outros artifícios) foram já colocados no sítio mais imprevisto: o nosso próprio computador. Existem também alegações de que os serviços de informações de vários estados analisam até mesmo as comunicações privadas entre pessoas. Há especialistas no roubo dos números e do prazo de validade dos cartões de crédito, quer dentro do computador da pessoa que o possui, quer no servidor distante que armazenou esse dado na altura em que a pessoa fez uma aquisição em linha. Há ainda vírus de vários tipos que podem ser transmitidos de diversas formas. Esta é uma lista muito incompleta de todas as desventuras possíveis. O conjunto de técnicas utilizadas, muitas das quais se podem considerar de alta tecnologia, poderá incitar a pessoa "normal" a partir do princípio de que, se alguém a considerar um alvo apetecível, não há protecção que lhe valha (seria de facto bem mais arriscado crer que se encontra imune). As protecções destinam-se apenas a dissuadir, pelo maior esforço que envolvem, ou a parar, pessoas informaticamente menos habilitadas. Se o leitor tiver a sorte de se poder considerar um pequeno utilizador anónimo, torna-se desnecessário ser tomado por grandes paranóias. Mesmo neste último caso, é particularmente desaconselhável dar a conhecer dados de carácter pessoal a estranhos em quem não confie. O óptimo aspecto de um sítio é um mau critério para avaliar a sua idoneidade. O número do cartão de crédito, dados financeiros e o endereço de correio electrónico são dados particularmente sensíveis. Nem sempre é possível evitar transmitir estes dados (ex: decisão de fazer uma compra em linha). Há programas e sítios destinados a garantir a privacidade dos dados pessoais. Será conveniente que, ao utilizá-los, a pessoa se interrogue sobre as consequências de qualquer falha do programa ou da utilização ilícita da informação confidencial que lhe faculte para melhor a ocultar. Uma mãe ou um pai que utilizam aparentemente todas as cautelas poderão esquecer que a actividade incontrolada dos seus filhos na Internet pode constituir uma maior ameaça à sua própria segurança do que todos os outros riscos já referidos. Não é fácil conciliar os desejos de privacidade dos bons cidadãos com a necessidade de combater o crime organizado, que dela se pode aproveitar. Todas as estratégias que aumentam a segurança tendem a diminuir ou a complicar a funcionalidade, por vezes bastante. Há instrumentos, como os cookies, que, apesar da utilização perniciosa que podem ter, servem também para adequar o conteúdo de um dado sítio às preferências voluntária e conscientemente expressas pelo utilizador ou para que os autores de um sítio determinem quais as páginas nele mais populares, o que lhes permitirá adaptar o conteúdo às preferências dos visitantes, até mesmo daqueles que lhes não enviam qualquer outra indicação sobre o que pensam.
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Última Actualização:
09.04.2002
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